Vitrola Taterka: o som que marcou uma geração
Caro leitor, neste post você irá acompanhar um relato de memória afetiva, onde este autor revive a história de um aparelho de som que marcou profundamente a sua infância.
O ano era 1981. Lembro como se fosse hoje: no final da tarde, nosso pai chegou em casa trazendo uma novidade embrulhada em uma grande caixa. A embalagem, além de volumosa, era bastante pesada — precisava de duas pessoas para carregá-la.
Todos nós ficamos curiosos para descobrir o que havia ali dentro. Não era comum algo daquela proporção chegar à nossa casa. Éramos uma família humilde, formada por nove irmãos, meus pais e minha avó paterna — a saudosa Vovó Maroca, de olhos cor de céu e cabelos brancos como a neve.
Meus pais e dois irmãos trabalhavam para sustentar a família. Mesmo com quatro pessoas empregadas, o que ganhavam era apenas o suficiente para manter a casa. Por isso, aquele momento era especial.
A caixa foi colocada na sala. Com um sorriso no rosto, meu pai a abriu — e ali estava o nosso primeiro aparelho de som: uma eletrola recém-comprada na loja Credilar, em Santana.
A compra foi feita no crediário, algo muito comum na época, já que adquirir bens à vista era difícil devido aos baixos salários e à pouca acessibilidade. Cartão de crédito? Nem se falava por aqui.
Quando vimos a eletrola, a felicidade foi imensurável. Era um sonho realizado para o papai e para a mamãe.
A marca era Taterka — desconhecida para nós, acostumados a ouvir falar de marcas como Philips e Semp Toshiba. Mas isso pouco importava.
Nossa eletrola era simples: rádio AM/FM e toca-discos de vinil. E era tudo o que precisávamos.
O perfil do aparelho
O equipamento tinha um design robusto, com corpo em madeira e ferro. Possuía:
Toca-discos automático
Duas rotações
Sintonizador com iluminação verde
Indicadores luminosos de sintonia e estéreo
Antena integrada
Entrada para toca-fitas externo
Duas caixas de som potentes
Para nós, aquilo era pura tecnologia.
Os primeiros discos
Tínhamos o aparelho… mas ainda faltavam os discos.
No dia seguinte, papai Antônio chegou com dois LPs:
Roberto Carlos
“Lambadas Internacionais”
Foram nossos primeiros discos de vinil.
Lembranças afetivas
Era próximo do Natal, época em que Roberto Carlos lançava seu tradicional disco de fim de ano.
Entre as músicas que marcaram aquele período, estavam:
Emoções
Cama e Mesa
As Baleias
Ele Está Pra Chegar
Aquelas canções ecoavam pela casa, embalando momentos simples, mas cheios de significado.
Curiosidades
Meu pai era fã de Roberto Carlos e colecionava seus discos
Ele é conhecido como o “Rei” da música brasileira
O LP “Lambadas Internacionais”, lançado pela Gravasom, tinha como destaque o sucesso “Melô da Ângela”
O tempo passou...
O tempo seguiu seu curso, e nossa querida eletrola esteve presente até 1994, quando adquiri nosso novo aparelho de som — um Sony 4 em 1.
Mas essa… já é outra história.
No fim das contas, aquela eletrola não era apenas um aparelho de som.
Ela era o ponto de encontro da família.
Era o som que preenchia a casa simples, mas cheia de amor.
Era o motivo das risadas, das festinhas improvisadas e dos momentos que hoje vivem apenas na memória — mas com uma nitidez que o tempo não consegue apagar.
Cada chiado do vinil, cada música tocada, cada ajuste no dial… tudo fazia parte de uma experiência única, que nenhuma tecnologia moderna conseguiu substituir por completo.
E talvez seja exatamente isso que torna essas lembranças tão valiosas.
Porque não se tratava apenas de ouvir música.
Era sobre sentir. Era sobre viver.
E você… qual foi o som que marcou a sua história?


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