Brinquedos dos anos 80: memórias de uma infância em Macapá



Hoje vou falar sobre os brinquedos dos anos 1980 — uma época em que possuir brinquedos sofisticados era o sonho de muitos, mas privilégio de poucos. Por isso, convido você, leitor movido pela nostalgia, a me acompanhar nesta viagem ao tempo para conhecer um pouco dos brinquedos “artesanais” que marcaram a minha infância. Vamos lá?

A geração era a de oitenta. Aqui em Macapá, naquela época, ter brinquedos avançados era o grande desejo de qualquer garoto da minha idade. No início dos anos 80, com apenas seis anos, quando eu já começava a me entender por gente, meus olhos brilhavam ao assistir, em uma televisão em preto e branco, às propagandas chamativas dos brinquedos anunciados pelas maiores fabricantes do Brasil: Estrela S/A, Glasslite, Elka e Brinquedos Bandeirantes.

Os intervalos comerciais me deixavam completamente fascinado. Eram verdadeiras maravilhas que se transformavam no sonho de consumo de qualquer criança de classe baixa — grupo ao qual eu pertencia. Carros movidos a pilhas ou a corda, bicicletas, triciclos e tantos outros brinquedos faziam os olhos literalmente “derreterem”, mesmo sem que as cores fossem visíveis na tela.

Pião.


Na Rádio Nacional, única emissora existente na época, o sucesso ficava por conta das baladas nacionais. Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Amelinha, Fagner, entre outros ídolos, dominavam as paradas e embalavam o cotidiano da cidade.

Mas voltando ao foco da matéria: em 1980, ganhei meu primeiro brinquedo a pilha — um carro de bombeiros “bate-volta”, com três funções que iam além da sirene e das luzes piscantes: a escada se movia e o brinquedo ainda realizava giros. Até hoje, guardo esse presente como o melhor Natal de toda a minha infância.

Durante os primeiros anos da década, entre 1980 e 1983, a maioria dos meus brinquedos era construída por mim mesmo. Eram feitos de madeira, buriti, lata, caroços de manga e outros materiais que hoje já nem consigo listar com precisão. Era com isso que eu, e tantas outras crianças, tínhamos acesso para criar nossos próprios brinquedos e, principalmente, desfrutar das brincadeiras.

Carrinhos de lata, piões, tratores e aviões de madeira, helicópteros de buriti, cavalinhos feitos com cabo de vassoura… tudo virava diversão — e que diversão! A criatividade compensava a falta de recursos.

Caminhão Bombeiros a pilha da Estrela.


A partir de 1984, as coisas começaram a melhorar um pouco. Passei a ganhar brinquedos mais diferenciados. Lembro com carinho do meu avião a pedal da Bandeirantes, usado, mas doado com muito afeto por um amigo do meu pai; do helicóptero PT-Locco da Glasslite; de um caminhão Scania da Elka; e de um helicóptero de puxar fio da Estrela.

Trem da Alegria.


Antes disso, entre 1981 e 1983, ganhei outros brinquedos importantes, mas muitos eram carrinhos de plástico puxados por fio, bolas de futebol, brinquedos bate-volta e jogos de botão. Estes últimos, em 1989, acabaram se tornando itens de coleção, quando resolvi montar meu próprio Campeonato Brasileiro de Futebol. Os botões eram fabricados pela Gulliver.

Nos meses de julho, durante as férias escolares, acontecia o tradicional Macapá Verão nos balneários da cidade. Nesse período, eu sempre ia com a família ao Balneário da Fazendinha para aproveitar as águas do Rio Amazonas, construir castelos de areia, catar sararas, brincar com barro e, claro, soltar papagaios — ou pipas, como são conhecidos em outras regiões do Brasil.

Carrinho de lata (conhecido como rolo na minha infância). Foto: COISAS ANTIGAS


Naquela época, Macapá já contava com a Rádio Nacional FM, e os grupos Dominó e Menudo faziam enorme sucesso na programação, embalando os veranistas que curtiam o calor do "Meio do Mundo", degustando os peixes e crustáceos da nossa região. O rock nacional também era febre, e a galera ia ao delírio quando o controlista (DJ) colocava esses hits para tocar.

Quando o Natal chegava, eu e meus amigos nos reuníamos no quintal para brincar com os presentes recém-ganhos. Era uma verdadeira festa.

Durante a infância, nunca tive um videogame Atari — a grande sensação da época —, mas pude desfrutá-lo na casa de um primo que possuía um. O jogo do momento era o Pac-Man, conhecido por nós como “Come-Come”.

Caroço de tucumã, nossa bola de gude natural. Foto: fapeam


E não para por aí. Outras brincadeiras marcaram profundamente a minha geração. Os caroços de tucumã, por exemplo, se transformavam em uma espécie de bola de gude. Jogávamos de várias formas, como o famoso “triângulo”, onde um número determinado de caroços ficava em disputa, e o objetivo era conquistar o maior número possível. Havia também apostas feitas com carteiras de cigarro, que funcionavam como dinheiro: Hollywood valia 10, Minister valia 100, e cada acerto rendia pontos.

Navio cargueiro da Atma.


Mas uma infância não se constrói apenas com brinquedos e brincadeiras. A música sempre esteve muito presente na minha vida, desde a fase infanto-juvenil até a adolescência. As canções infantis eram influenciadas pelos programas de TV da época, que além de entreter, lançavam tendências de mercado.

Eu era fã de carteirinha do Balão Mágico, liderado por Simony, com sucessos como Super Fantástico, Amigo do Peito e É Tão Lindo, este último com participação de Roberto e Erasmo Carlos. O Trem da Alegria embalava as crianças com Piuí Abacaxi, Fera Neném e Uni-Duni-Tê. E, claro, Xuxa conquistava a todos com clássicos como Quem Quer Pão e O Praga.

Avião de buriti. Jonathan Lobato.


Artistas nacionais e internacionais também fazem parte da minha memória afetiva: Michael Jackson, Billy Idol, Donna Summer, Lionel Richie, Jimmy Cliff, Barão Vermelho, Kid Abelha, Ultraje a Rigor, Ritchie, Dominó, Tremendo e Léo Jaime são apenas alguns nomes que permanecem vivos na minha lembrança.

Se me perguntarem se a infância lúdica foi melhor do que a virtual, não tenho dúvidas: os anos 1980 foram, sem comparação, os melhores.


Avião triciclo Bandeirantes. Anos 80. Foto: https://www.tuneldotempoleiloes.com.br


📦 Você sabia?

Nos anos 1980, muitas crianças de Macapá criavam seus próprios brinquedos usando madeira, buriti, latas e caroços de frutas, já que os brinquedos industrializados eram caros e de difícil acesso.

📻 Rádio & Infância

Antes da TV colorida se popularizar, a Rádio Nacional era a principal fonte de entretenimento musical, moldando o gosto de uma geração inteira.

🎮 Atari: sonho coletivo

Mesmo quem não tinha um Atari em casa conhecia o famoso “Come-Come” (Pac-Man), jogado na casa de amigos ou parentes.


📼 Quiz Anos 80 — Clique e Revele

1️⃣ Qual brinquedo era o maior sonho de consumo infantil nos anos 80?

Pião de madeira
Atari
Bola de meia
🎮 O Atari era símbolo de status e desejo entre crianças e adolescentes.

2️⃣ Qual material era comum na criação de brinquedos artesanais em Macapá?

Isopor
Buriti e madeira
Acrílico
🛠️ A criatividade supria a falta de recursos industriais.

3️⃣ Como o jogo Pac-Man era conhecido no Brasil?

Come-Come
Labirinto
Come Tudo
👾 O apelido popularizou o jogo entre crianças brasileiras.

4️⃣ Qual emissora marcou a infância musical em Macapá?

Rádio Nacional
Rádio Globo
Rádio Cidade
📻 A Rádio Nacional era a principal fonte de música e informação.

5️⃣ Qual grupo infantil cantava “Super Fantástico”?

Trem da Alegria
Balão Mágico
Dominó
🎤 Balão Mágico foi um fenômeno infantil dos anos 80.

6️⃣ Qual brincadeira era comum no Macapá Verão?

Soltar papagaio (pipa)
Andar de skate
Jogos online
🪁 Soltar papagaio fazia parte das férias no Meio do Mundo.

7️⃣ Qual artista internacional foi ícone pop dos anos 80?

Michael Jackson
Frank Sinatra
Elvis Presley
🕺 Michael Jackson marcou gerações com seus hits e dança.

8️⃣ O que substituía bolas de gude em muitas brincadeiras?

Caroços de tucumã
Pedras de vidro
Moedas
🌰 Os caroços viravam brinquedo nas mãos da imaginação.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraje a Rigor – “Filha da Puta” (1989): A polêmica que atravessou décadas

contato@radio90smacapa.webradios.net