Canecãeo: o palco das noites inesquecíveis de Fazendinha nos anos 90
Entre os anos de 1991 e 1993, o bairro de Fazendinha viveu um de seus períodos mais intensos quando o assunto era diversão, encontros e vida noturna. Em meio a esse curto, porém vibrante intervalo de tempo, um espaço simples se transformou em referência absoluta para quem queria dançar, ouvir música e celebrar a juventude: a Sede do Canecão.
Localizada na tradicional Rua do Matadouro, quase em frente à Igreja Assembleia de Deus, a casa tornou-se ponto de encontro obrigatório para jovens e adultos de Fazendinha e de bairros vizinhos. O Canecão consolidou-se rapidamente como um dos endereços mais marcantes do início dos anos 1990 na comunidade.
A visão de um empresário local
A Sede do Canecão pertencia ao empresário José dos Santos, conhecido carinhosamente como Apertadinho. Figura influente, querida e respeitada no bairro, ele soube enxergar o desejo da juventude local por um espaço de lazer noturno.
Com espírito empreendedor e atento às tendências da época, deu vida a um ambiente simples, construído em madeira, mas carregado de energia e personalidade — características que rapidamente conquistaram o público.
Inspiração carioca, identidade fazendinhense
O nome Canecão foi inspirado na lendária casa de shows carioca Canecão, localizada em Botafogo, no Rio de Janeiro. No entanto, apesar da referência, o Canecão da Fazendinha possuía uma identidade própria, muito distante da grandiosidade da casa do Sudeste.
Já como Canecão, o espaço funcionava como um verdadeiro ponto de convivência de bairro, oferecendo bar, petiscos e mesas para quem preferia aproveitar a noite conversando e observando o movimento, além da pista sempre animada.
As noites que Fazendinha não esqueceu
A danceteria funcionava religiosamente nas noites de sábado e domingo. A festa começava cedo e só terminava quando o sol ameaçava surgir no horizonte.
O som potente que embalava as madrugadas vinha da estrutura do Som Lideral, pertencente ao empresário Luiz Motta, considerada de alto padrão para a época e responsável por levar uma qualidade sonora incomum ao bairro.
No comando das pick-ups estavam dois nomes que se tornaram verdadeiras lendas locais: DJ Clésio Roberto, o DJ Pepe, e DJ Raimundo Chagas.
Com mixagens precisas, repertório variado e grande sensibilidade de pista, eles ditavam o ritmo das noites e transformavam cada fim de semana em um acontecimento aguardado por todos.
O som que embalou uma geração
O Canecão abraçava a diversidade musical típica da Região Norte. O brega paraense, a lambada e o carimbó tinham presença garantida e mantinham o público conectado às raízes culturais locais.
Ao mesmo tempo, a house music marcou fortemente a identidade sonora da casa.
Sucessos de artistas como Lee Marrow, Plaza e outros nomes da cena europeia do início dos anos 1990 faziam a pista ferver. Parte desse repertório chegava por meio de discos adquiridos em lojas especializadas, como a DJ Shopping e a Tocco House Music, que abasteciam os DJs com os lançamentos mais quentes da época.
Entre batidas aceleradas, vocais marcantes e sintetizadores intensos, o Canecão transformava Fazendinha em um verdadeiro portal musical para o que havia de mais moderno nas pistas do mundo.
Um ponto de encontro além das fronteiras de Fazendinha
Mesmo sendo uma casa de dança de bairro, sem estrutura sofisticada de iluminação ou acústica de alto padrão, o alcance do Canecão ultrapassava os limites de Fazendinha.
Jovens de Macapá, Santana e de outras áreas próximas faziam questão de marcar presença. O espaço tornou-se um ambiente de convivência e celebração, onde amizades surgiam, casais se formavam e histórias inesquecíveis eram escritas a cada fim de semana.
Um legado que permanece
Apesar de ter funcionado por um período relativamente curto, o Canecão deixou uma marca profunda na cultura do lazer em Fazendinha e na memória de quem viveu aquela fase.
Representou um momento em que a cena jovem encontrou seu espaço, sua música e sua identidade, embalados pelos graves e batidas que ecoavam pela Rua do Matadouro.
Hoje, quem passa pela rua e olha para o lado direito, onde funcionou a sede do Canecão, encontra o muro do CetaEcotel. Junto a ele permanecem as lembranças de quase três anos de muita música, diversão e amizade — um capítulo inesquecível da história da noite fazendinhense.
📌 Observação
Tentamos encontrar fotografias da época, mas infelizmente não obtivemos sucesso. Caso você tenha registros ou memórias desse período, entre em contato e ajude a manter viva essa história.





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