📰 ANTES DAS FACÇÕES
As gangues que dominaram Santana nos anos 80 e 90
Antes da existência das facções criminosas no Brasil — e da sua chegada ao Amapá — o termo “facção” ainda não fazia parte do vocabulário regional.
Nas décadas de 1980 e 1990, jovens de Macapá e Santana viviam a chamada “cultura das gangues”, fortemente influenciada por filmes de Hollywood, como o clássico Os Selvagens da Noite (The Warriors).
Inspirados por esse universo, muitos jovens se viam como verdadeiros rebeldes urbanos. Saíam pelas noites em busca de confrontos com grupos rivais, em disputas por território, respeito e poder.
📌 Organização e territórios
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| Praça Cívica de Santana, anos 90. Local de encontro de jovens e tertulheiros, e de confronto das Gangues. |
Em Santana, as gangues eram organizadas por setores. Praticamente cada bairro tinha seu grupo, responsável por “defender” sua área e impor suas próprias regras.
A intenção era clara: mostrar que o crime estava presente e que aquele território tinha domínio.
Entre as principais gangues da época estavam:
Gangue da Fortaleza
Gangue do Bacabal
Gangue do Remédio
Gangue do Paraíso
Gangue da Vila Piscina
Uma das rivalidades mais marcantes era entre Fortaleza e Fazendinha.
Nos anos 80, moradores de lados opostos do Igarapé da Fortaleza viviam em constante tensão. Atravessar a ponte — a pé ou de bicicleta — podia ser visto como provocação.
📌 Pontos de confronto
As brigas geralmente aconteciam em locais considerados neutros.
Um dos principais pontos era em frente ao Independente Esporte Clube, nas proximidades da Praça Cívica de Santana.
O local reunia jovens, tertulheiros e frequentadores da noite santanense — e, muitas vezes, transformava-se em palco de confrontos entre gangues. Os conflitos não se limitavam às ruas: mesmo com todo o aparato de segurança da sede do Independente, membros dos grupos escondiam armas brancas nos “comongols” e, ao entrarem no espaço, recuperavam os objetos para duelar durante as tertúlias.
📌 Confrontos e armas
As disputas eram, em sua maioria, corporais, mas frequentemente envolviam armas.
Entre os objetos utilizados estavam:
Terçados
Facas e canivetes
Pedaços de madeira
Fogos de artifício adaptados
Alguns integrantes utilizavam também armas artesanais, produzidas de forma improvisada.
Infelizmente, em alguns casos, pessoas inocentes eram confundidas com integrantes de gangues rivais e acabavam sendo vítimas de agressões.
📌 A presença da polícia
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| Viatura da Polícia Militar do Amapá - PMAP dos anos 80, uma Chevrolet veraneio. Imagem gerada por I.A. |
Apesar da violência entre os grupos, havia um limite claro: a polícia.
A Polícia Militar do Amapá era extremamente respeitada. Seus soldados, com boinas azul-escuro e postura rígida, impunham autoridade.
Enfrentar um policial era visto como imprudência — e poucos se arriscavam.
As viaturas da época, como as tradicionais Veraneio, eram temidas. Bastava aparecerem na esquina para dispersar qualquer movimentação.
📌 Você sabia?
O filme Os Selvagens da Noite causou polêmica nos Estados Unidos. Em algumas sessões, houve registros de brigas reais entre gangues dentro dos cinemas.
📌 Influência cultural
A influência do cinema era evidente. Assim como no filme, muitas gangues adotavam identidade própria, nomes e até comportamentos semelhantes aos vistos nas telas.
O sentimento de pertencimento e a busca por respeito eram fatores centrais entre os jovens.
📌 Música e o universo das gangues
A música também fazia parte desse cenário.
Nos anos 90, estilos como o house nacional e o pop eletrônico dominavam as festas e encontros. Diferente dos dias atuais, onde o funk se tornou predominante nesse contexto.
Um dos sucessos da época era É o Bicho, produzido em Manaus.
A música era presença constante nas tertúlias e danceterias de Santana.
“É o bicho, é o bicho, é o bicho…
a festa começou e não tem hora pra parar…”
Apesar de não ter conteúdo violento, acabou sendo adotada por alguns grupos como uma espécie de grito de guerra.
📌 Você sabia?
A banda Blitz lançou a música Greg e sua Gangue, trazendo uma visão bem-humorada do universo das gangs urbanas.
📌 As gangues nos noticiários
Os jornais locais frequentemente destacavam ocorrências envolvendo as quadrilhas.
Conflitos, prisões, feridos e até mortes eram assuntos recorrentes.
Para muitos jovens, enfrentar o perigo era visto como demonstração de coragem — e uma forma de ganhar respeito dentro do grupo.
👉 “A cultura das gangues dos anos 80 e 90 foi fortemente influenciada por filmes como Os Selvagens da Noite. Inclusive, preparamos uma matéria especial sobre esse clássico.”
📌 Um capítulo da história
Com o passar do tempo, esse cenário foi dando lugar a algo mais complexo e perigoso: as facções criminosas, que começaram a se expandir pelo Brasil nos anos 90 e chegaram ao Amapá por volta dos anos 2010.
Hoje, olhando para trás, as antigas quadrilhas parecem pequenas diante da realidade atual — mas deixaram marcas profundas na memória de uma geração.
📻 Rádio 90’s Macapá
Nós somos da gangue do sucesso e do flashback.
Nosso objetivo é resgatar histórias, reviver músicas e manter viva a memória cultural do povo amapaense.
Porque recordar também é preservar.
Nota: Este texto conta com a contribuição do amigo “Pedro” (nome fictício utilizado para preservar a identidade do colaborador), que ajudou a descrever parte da história.
As imagens foram criadas por meio de inteligência artificial, com o objetivo de proporcionar ao leitor uma representação visual aproximada do cenário da época.
Gangue: Substantivo feminino derivado do inglês gang, utilizado para designar um grupo de pessoas envolvidas em atividades criminosas. O termo foi amplamente difundido nas décadas de 1970, 1980 e 1990.




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