Halloween em Macapá: festas, personagens e lembranças de uma noite assustadora
Das festas nas escolas de idiomas aos bailes nos clubes e à tradicional comemoração na Fazendinha, o Halloween também construiu suas histórias no Amapá.
O Halloween é uma das datas mais conhecidas e celebradas em várias partes do mundo. Sua popularidade é facilmente reconhecida pelas fantasias assustadoras, decorações temáticas, personagens misteriosos e, claro, pelas tradicionais guloseimas.
Celebrado em 31 de outubro, o Dia das Bruxas tem raízes históricas que remontam a antigas tradições celtas. Uma das principais referências é o festival de Samhain, realizado nas Ilhas Britânicas para marcar o fim da colheita e a chegada do período mais escuro do ano.
Com o passar dos séculos, a tradição incorporou elementos religiosos e culturais. O nome Halloween está relacionado à expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa véspera do Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. O Dia de Finados, por sua vez, é celebrado em 2 de novembro.
Enquanto algumas pessoas enxergam a data como uma oportunidade de diversão, outras a associam a questões espirituais e religiosas. Essa diferença de interpretações faz parte das discussões que acompanham a comemoração até hoje.
Além do aspecto cultural, o Halloween também movimenta o comércio. Durante o mês de outubro, lojas passam a oferecer fantasias, máscaras, enfeites, chocolates, doces e diversos produtos relacionados à festa.
Nos Estados Unidos, uma das tradições mais conhecidas é o trick-or-treat, quando crianças fantasiadas percorrem as ruas batendo de porta em porta para pedir doces. A expressão é conhecida no Brasil como “doces ou travessuras”.
Por aqui, o Halloween ganhou espaço principalmente a partir das décadas de 1980 e 1990, com a realização de atividades pedagógicas em escolas de idiomas e festas temáticas em clubes, boates e outros espaços de entretenimento.
O Halloween chegou às noites de Macapá
Em Macapá, as décadas de 1980, 1990 e 2000 foram marcadas por festas que ajudaram a popularizar o Dia das Bruxas. Escolas de idiomas como Fisk e Yázigi tiveram participação importante nesse movimento, promovendo eventos que também contavam com a colaboração do DJ Alain Cristophe.
As comemorações aconteciam na noite de 31 de outubro ou em datas próximas, dependendo da programação e do dia da semana. Boates, clubes e salões de eventos recebiam o público que desejava entrar no clima da festa.
O professor Carlos Alberto recorda um trecho de uma chamada de divulgação de uma das festas da Fisk:
“Meu nome é Conde Drácula e o meu é Lobisomem, juntos estaremos no Halloween do Fisk. Aguardamos por você.”
A chamada, lembrada pelo professor, foi produzida por Alan, nome associado ao DJ Alain Cristophe, que também atuava na produção de eventos e no empreendedorismo local.
A criatividade não ficava restrita às fantasias e à decoração. Até os patrocinadores entravam no clima. Na mesma chamada, durante a apresentação dos apoiadores, havia uma frase bem-humorada:
“Oferecimento, Armador São José, aquele que irá tirar a medida do seu caixão.”
Era o tipo de publicidade que brincava com o imaginário assustador da festa e certamente não passava despercebida pelos ouvintes.
Outra lembrança curiosa relacionada às chamadas da Fisk, em 1989, era a divulgação de um sorteio envolvendo uma rasga-mortalha, ave conhecida na região por seu canto característico e pelas crenças populares associadas ao seu aparecimento. A chamada teria sido veiculada em emissoras locais, entre elas Antena 1 Macapá, Rádio 101,9 e Equatorial FM 94,5. Uma daquelas histórias que merecem continuar sendo contadas.
O Yázigi Macapá também cultivava uma tradição bastante peculiar: uma caminhada pelas ruas da cidade em direção ao local onde aconteceria a festa. A concentração e a saída ocorriam em frente ao Cemitério São José, no bairro Santa Rita, ou ao Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no bairro Central.
Era uma maneira de começar a noite já entrando no clima do Halloween.
Anos 80 — Quando o medo ainda era novidade
Nos anos 1980, o Halloween ainda não tinha a popularidade que alcançaria nas décadas seguintes em Macapá. A comemoração estava mais restrita às escolas de idiomas e a algumas instituições particulares, que aproveitavam a data para desenvolver atividades relacionadas à cultura e à língua inglesa.
Com o passar do tempo, as festas ganharam proporções maiores e chegaram aos clubes, boates e salões de eventos. Esses espaços se tornaram pontos de encontro dos chamados “Hallowenáticos” da época.
Entre os locais que recebiam as comemorações estavam o Círculo Militar, a sede do Trem Desportivo Clube, o Clube dos Oficiais e o salão de eventos do antigo Novotel Macapá.
Em Santana, as sedes sociais do Independente Esporte Clube e do Santana Clube também eram opções para quem queria aproveitar a noite das bruxas.
A decoração era mais artesanal quando comparada aos padrões atuais. Cartolinas pretas, vermelhas e brancas, abóboras feitas de papel ou plástico, teias produzidas com algodão e cola plástica ajudavam a transformar os ambientes.
Caixas de papelão, tecidos, papel crepom e outros materiais eram utilizados na confecção de personagens e enfeites. Bruxas, esqueletos, morcegos e fantasmas estavam entre os elementos indispensáveis.
A música ficava por conta das bandas covers de pop e rock nacional e internacional, além do tradicional som mecânico que movimentava as pistas.
O público comparecia com roupas esporte ou fantasiado, dependendo da criatividade e das condições de cada um. O importante era participar, encontrar os amigos, dançar e aproveitar a noite.
Anos 90 — As festas ganham as pistas
Com a chegada dos anos 1990, o Halloween ganhou maior dimensão no Amapá. Um dos fatores que transformaram o cenário comercial da região foi a implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana.
A área foi criada pela Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto nº 517, de 8 de maio de 1992, e implantada oficialmente em março de 1993.
Esse contexto contribuiu para ampliar as possibilidades do comércio local, inclusive na oferta de produtos importados. Na lembrança de quem frequentava as festas, os artigos temáticos passaram a aparecer com maior variedade, acompanhando a evolução da ornamentação, da iluminação, da sonorização e das fantasias.
Em 1996, a escola de idiomas Yázigi lançou o Hallowfest, evento que se tornou uma das referências do Halloween em Macapá. Segundo as lembranças sobre suas primeiras edições, a estreia aconteceu na sede do Sesc Amapá. Ao longo dos anos, a festa também ocupou outros espaços da cidade.
A Fisk, por sua vez, realizava sua tradicional comemoração conhecida como Halloween Fisk ou Fisk Halloween, muitas vezes confundida com a chamada Festa da Corrente. O evento reunia gincanas, bailes e atividades pedagógicas, permitindo que os alunos tivessem contato com aspectos da cultura do Halloween norte-americano.
A decoração das unidades também fazia parte da tradição. A escola mantinha o costume de ornamentar seus espaços durante o período da comemoração.
Nas pistas, a música eletrônica passou a ocupar cada vez mais espaço. DJs amapaenses como Alain Cristophe, Pirão, Diabão e Strong, entre outros profissionais, ajudavam a movimentar os bailes. Algumas edições também contavam com atrações de fora do estado.
Concursos de fantasias e sorteios de prêmios completavam a programação. Para muitos participantes, era a oportunidade de caprichar na produção e tentar levar para casa alguma lembrança da noite.
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| HallweenFest Yázig Macapá.30 anos de tradição. Imagem: Divulgação. |
Anos 2000 — O Halloween entra no cotidiano
Com a chegada do novo século, o Halloween já estava mais presente no calendário de atividades de escolas, clubes, boates e festas particulares.
A comemoração deixou de ficar restrita aos eventos de idiomas e passou a fazer parte de diferentes ambientes sociais e familiares. Crianças, adolescentes e adultos encontravam maneiras de participar, seja com fantasias, brincadeiras ou encontros temáticos.
O cinema e as locadoras também ajudavam a alimentar o imaginário do terror. Na época dos VHS e DVDs, alugar um filme, preparar a pipoca e reunir os amigos ou a família era uma das opções para aproveitar a noite.
Produções como Sexta-Feira 13, Pânico, A Volta dos Mortos-Vivos, O Massacre da Serra Elétrica, Alien e O Predador, além das histórias de vampiros e lobisomens, faziam parte do repertório dos fãs de suspense e terror.
Três filmes para entrar no clima do Halloween
Para quem gosta de histórias assustadoras, vale recordar três produções que marcaram diferentes momentos do cinema.
1. Bala de Prata (1985)
Baseado na obra de Stephen King, o filme apresenta uma pequena cidade aterrorizada por ataques misteriosos. Um garoto começa a desconfiar de que uma criatura sobrenatural está por trás dos acontecimentos. O lobisomem é o grande destaque dessa história, perfeita para quem gosta de monstros clássicos.
2. Drácula de Bram Stoker (1992)
Dirigido por Francis Ford Coppola, o longa apresenta uma versão visualmente marcante da história do Conde Drácula. Com atmosfera gótica, romance e terror, a produção revisita um dos personagens mais conhecidos da literatura e do cinema.
3. Abracadabra (1993)
Três bruxas são despertadas acidentalmente na noite de Halloween e tentam recuperar seus poderes. Com humor, magia e confusão, o filme se tornou uma das produções mais lembradas por quem gosta de uma aventura sobrenatural sem abrir mão da diversão.
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| VHS Filme Bala de Prata. (1985). |
A música também tem seu lado assustador
O Halloween também combina com música. Algumas produções parecem ter nascido para acompanhar uma noite de monstros, fantasmas e criaturas misteriosas.
1. Michael Jackson — Thriller (1982)
Não existe seleção de Halloween sem lembrar de Thriller. A música apresenta uma atmosfera de suspense, com referências a criaturas da noite e elementos do terror. O videoclipe, lançado em 1983, transformou a faixa em um dos maiores espetáculos visuais da história da música pop, com direito a zumbis dançando e uma transformação assustadora do próprio Michael Jackson.
2. Mysterious Art — Das Omen (1989)
Com uma sonoridade eletrônica sombria e uma atmosfera enigmática, Das Omen combina perfeitamente com o clima da data. O próprio título remete a um presságio, reforçando a sensação de mistério que acompanha a faixa. É uma daquelas músicas que parecem trilha sonora de uma história sobrenatural.
3. Darkennes — In My Dreams (1995)
Presente no CD Ritmos da Noite, da Jovem Pan, a faixa traz uma sonoridade eletrônica característica das pistas dos anos 1990. O título, que significa “Em Meus Sonhos”, permite uma associação com o universo dos sonhos e dos pesadelos, tornando a música uma escolha interessante para a seleção temática.
4. Zombie Nation — Kernkraft 400 (1999)
Lançada originalmente em 1999, a música ganhou grande popularidade nas pistas e nos eventos esportivos nos anos seguintes. Seu ritmo eletrônico marcante e os vocais repetitivos criam uma atmosfera que combina com o imaginário dos zumbis. Um clássico das pistas que atravessou gerações.
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| LP Trhiller (1982). |
O humor monstruoso de João Penca e Seus Miquinhos Amestrados
O terror também pode ser divertido. O grupo João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, conhecido pelo humor irreverente e pelo rock bem-humorado, tem duas músicas que merecem espaço nesta seleção: O Monstro Macho e O Monstro.
Com títulos que brincam diretamente com o universo das criaturas assustadoras, as faixas ajudam a mostrar que nem toda música de Halloween precisa ter uma atmosfera sombria. Às vezes, o melhor ingrediente é justamente o bom humor.
Fazendinha também entrou na onda do Halloween
A tradição também ganhou um capítulo especial na Fazendinha.
No ano de 2000, a Escola Estadual José do Patrocínio, junto com os formandos do curso de Magistério, protagonizou uma das festas de Halloween mais comentadas do bairro.
O evento, batizado de Halloween JP, aconteceu em 31 de outubro de 2000, na sede do Fazendinha Esporte Clube, localizada às margens da Rodovia JK.
A festa foi organizada pelos alunos, que aproveitaram a ocasião para reunir a comunidade e arrecadar recursos destinados à colação de grau das turmas.
Alunos e professores participaram da ornamentação do espaço. O ambiente recebeu morcegos, esqueletos, abóboras, caixões, múmias e diversos outros elementos que ajudavam a criar uma atmosfera de casa mal-assombrada.
A decoração não ficou restrita ao interior do clube. Na entrada, os organizadores prepararam sepulturas no chão, com cruzes e velas acesas, criando a impressão de um cemitério a céu aberto.
Para muitos estudantes, aquela noite também representou uma experiência especial: a oportunidade de participar de uma grande festa temática, encontrar os colegas e celebrar uma etapa importante da vida escolar.
O Halloween JP permanece como uma lembrança de uma época em que a criatividade e a mobilização dos alunos transformaram uma comemoração em um acontecimento marcante para o bairro.
Ícones do Halloween: do Conde Drácula à Matinta Pereira
Os personagens do Halloween podem variar de acordo com a cultura e as tradições de cada país ou região.
Entre os mais conhecidos estão múmias, vampiros, caveiras, lobisomens, fantasmas e bruxas. São figuras que atravessam gerações e alimentam o imaginário popular por meio de filmes, livros, histórias e lendas.
No Brasil, especialmente na região Norte, o folclore também oferece personagens que combinam perfeitamente com a temática.
Matinta Pereira, Curupira, Saci-Pererê e Mula sem Cabeça são algumas dessas figuras que podem aparecer nas fantasias e nas comemorações. São personagens do nosso imaginário popular, com histórias que fazem parte da cultura amazônica.
Um detalhe curioso é que o Dia do Saci também é celebrado em 31 de outubro, a mesma data do Halloween. A iniciativa surgiu como uma forma de valorizar o folclore brasileiro e dar visibilidade aos personagens da nossa cultura.
Assim, a noite das bruxas também pode ser uma oportunidade para lembrar as histórias e os personagens que fazem parte da identidade regional.
Doces, travessuras e muita diversão
Como toda boa festa precisa de energia, as comemorações de Halloween também são acompanhadas por comidas, bebidas e guloseimas.
A tradição de pedir doces ou travessuras inspirou mesas recheadas de balas, chicletes, pirulitos, marshmallows e chocolates. Alguns produtos ganharam nomes e sabores que combinavam com a brincadeira, como os chicletes ácidos Baba de Bruxa, Criptonita e TNT.
Nas festas para jovens e adultos, também apareciam pizzas, cachorros-quentes, mini-hambúrgueres e outros lanches, além de refrigerantes e bebidas variadas.
O Halloween não ficou restrito ao público jovem e adulto. A versão infantil ganhou espaço nas escolas públicas, particulares e de idiomas, com horários e atividades adaptados para crianças e adolescentes.
Halloween Kids: a diversão também é das crianças
Em Macapá, as comemorações infantis também encontraram espaço nos eventos promovidos pelo comércio e pelas instituições de ensino.
O Macapá Shopping, desde os primeiros anos de funcionamento, passou a reservar espaço para atividades especiais de Halloween voltadas às crianças e às famílias. As programações realizadas na área de eventos ofereciam entrada gratuita e oportunidades para os pequenos participarem de brincadeiras e festas temáticas.
A animação também ficava por conta de bandas e artistas locais que apresentavam repertório infantil. Taty Taylor e Chocolate com Pipoca estão entre as atrações que marcaram presença em programações desse tipo.
Para completar a diversão, selecionamos três filmes que podem ser assistidos com a criançada no Dia das Bruxas.
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| Halloween do Macapá Shopping. Imagem: Divulgação. |
1. A Casa Monstro (2006)
Uma casa aparentemente comum esconde um segredo assustador. Três crianças começam a investigar o lugar e descobrem que aquela construção tem vida própria. Uma animação de aventura e suspense para entrar no clima do Halloween.
2. Gasparzinho, o Fantasminha Camarada (1995)
Diferente dos fantasmas que costumam assustar as pessoas, Gasparzinho é simpático, gentil e procura fazer amigos. Uma opção divertida para quem prefere um Halloween mais leve e cheio de fantasia.
3. Deu a Louca nos Monstros (1987)
Um grupo de crianças precisa enfrentar criaturas clássicas do terror que ameaçam a cidade. Com aventura, humor e monstros conhecidos, o filme é uma lembrança divertida do cinema juvenil dos anos 1980.
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| Gasparzinho, o Fantasminha Camarada (1995). Divulgação. |
E você, qual é a sua lembrança de Halloween?
O Halloween é muito mais do que uma noite de fantasias, doces e travessuras. Ao longo dos anos, tornou-se também uma oportunidade de entretenimento, movimentação do comércio, encontro entre amigos e valorização de diferentes manifestações culturais.
Em Macapá, Santana e Fazendinha, essa história foi construída por escolas, DJs, clubes, professores, estudantes, artistas e frequentadores que ajudaram a transformar a data em parte da memória local.
Talvez você tenha participado de um baile da Fisk ou do Hallowfest do Yázigi, dançado em alguma festa nos clubes da cidade, acompanhado uma programação infantil ou vivido uma noite inesquecível no Halloween JP.
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| HalloweenFest do Yázigi. Foto: Yázigi Macapá. |
E você? Qual festa, fantasia, música ou história de Halloween ficou guardada na sua memória?
Conte para a gente nos comentários e compartilhe esta matéria com os amigos que também viveram essas noites assustadoras.
Rádio 90’s Macapá — Desbloqueando a sua memória!







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