Cattani: uma história que marcou o transporte coletivo do Amapá
Das antigas garagens aos ônibus que encantaram gerações, uma viagem pela trajetória de uma empresa que deixou sua marca nas ruas de Macapá.
A história do transporte coletivo de Macapá também é feita de empresas que marcaram diferentes gerações de passageiros. Entre elas está a Cattani, cuja trajetória deixou registros nas ruas da capital amapaense, nas linhas urbanas e metropolitanas e na memória de quem acompanhou as transformações dos ônibus ao longo dos anos.
Fundada em 1949 por José Catanni, a empresa construiu sua trajetória no setor de transportes. No Amapá, sua presença ganhou destaque a partir da aquisição da operação da Canário do Amapá, por volta do início dos anos 1980, dando início a uma fase importante de sua história no transporte coletivo local.
Mais do que veículos e itinerários, a trajetória da Cattani reúne histórias de passageiros, trabalhadores e admiradores que ainda guardam lembranças de seus ônibus, das antigas garagens e das mudanças que acompanharam a evolução do transporte coletivo amapaense.
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| Ônibus da Cattani Macapá no antigo terminal urbano de passageiros, Macapá. Foto: Memorial Amapá. |
O crescimento da frota e a mudança de garagem
Nos primeiros tempos de sua operação em Macapá, a Cattani utilizava uma garagem localizada no bairro Alvorada. Com o crescimento da frota, porém, o espaço passou a ser insuficiente para acomodar todos os veículos. Muitos ônibus precisavam permanecer estacionados do lado de fora, às margens das ruas próximas.
A necessidade de uma estrutura maior levou à mudança das instalações da empresa. Entre os endereços associados à trajetória da Cattani estão duas garagens que ajudam a reconstruir essa história.
Uma delas ficava na Rua Floriano Waldeck, no bairro São Lázaro, CEP 68.905-160. Posteriormente, o espaço passou a ser utilizado pela Viação Amapaense e pela Capital Morena.
Outra unidade estava localizada na Rua Alceu Paulo Ramos, nº 3153, no bairro Novo Horizonte. Mais tarde, esse espaço ficou com a AmazonTur.
Essas antigas instalações representam parte da memória operacional do transporte coletivo amapaense. A mudança de garagem, motivada pela expansão da frota, ilustra os desafios enfrentados pela empresa para acomodar seus veículos e manter suas operações.
VOCÊ SABIA?
Uniforme padrão
Os funcionários da Cattani tinham uniforme padronizado, cujo uso era uma norma da empresa. Motoristas e cobradores trabalhavam usando calça azul-escura, camisa azul-clara e crachá de identificação, compondo uma apresentação profissional que ajudava a identificar a equipe no dia a dia.
Motoristas vindos do Paraná
Outra curiosidade era a presença de motoristas de ônibus vindos do Paraná, que trabalhavam em Macapá. Esse detalhe também faz parte das lembranças relacionadas à trajetória da empresa e às experiências profissionais que marcaram o transporte coletivo amapaense.
A Cattani e seus funcionários — registro histórico
Na fotografia, um funcionário da Cattani aparece ao lado de ônibus da empresa, vestindo o uniforme de trabalho: calça azul-escura e camisa azul-clara. A imagem também registra parte da frota, com destaque para o veículo de prefixo 1078. Mesmo sem a identificação do trabalhador e da data exata do registro, a fotografia preserva detalhes importantes da apresentação dos funcionários e da identidade visual da empresa em Macapá.
Acervo: RVIG – Mot Hélio / Ônibus Brasil.
Uma frota de diferentes gerações
Ao longo de sua trajetória, a Cattani operou ônibus de diferentes fabricantes e modelos, acompanhando as transformações tecnológicas e visuais do transporte coletivo brasileiro.
Entre os modelos associados à sua frota estão veículos das marcas Caio, Marcopolo, Comil e Busscar, além de ônibus Mercedes-Benz.
Na memória dos admiradores aparecem modelos como Caio Gabriela I e II, Caio Vitória, Caio Amélia, Marcopolo Veneza, Torino 83, Torino 89, Torino GV, Comil Svelto 89, Comil Svelto/Doppio, Nielson Diplomata e Busscar Urbanus.
Cada modelo representa uma fase da evolução dos ônibus e das necessidades de transporte da população. Alguns, entretanto, conquistaram um lugar especial na memória de quem acompanhava a frota pelas ruas de Macapá.
É o caso do Comil Svelto 89, lembrado pelo desenho de sua carroceria e pelo charme que apresentava para a época. Segundo o relato do professor Ângelo Duarte, a Cattani era a única operadora desse modelo em Macapá, uma lembrança que destaca a importância do veículo na identidade da frota local.
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| Os ônibus da Cattani: Cada modelo representa uma fase da evolução dos ônibus e das necessidades de transporte da população. Foto: rVig - Acervo Cattani, Site: Ônibus Brasil. |
Os articulados Comil Doppio e a inovação na frota
Entre os veículos que marcaram a trajetória da Cattani em Macapá estavam dois ônibus articulados Comil Doppio, de 1996. Inicialmente utilizados no transporte urbano, os veículos passaram posteriormente a operar na ligação entre Macapá e Santana.
Além de chamarem a atenção pelo porte e pela configuração articulada, os dois ônibus se destacavam pela pintura especial, diferente do padrão utilizado nos demais veículos da frota.
A iniciativa representou uma inovação visual da Cattani, conferindo aos articulados uma identidade própria e tornando-os facilmente reconhecíveis por quem acompanhava o transporte coletivo da época.
A presença desses veículos demonstra como a empresa também investia em soluções que diferenciavam sua frota, tanto pela configuração dos ônibus quanto pela apresentação visual.
O Busscar Urbanus com suspensão a ar
Outro destaque foi o Busscar Urbanus de 1998, equipado com suspensão a ar. Segundo o levantamento histórico reunido para esta matéria, era o único veículo com essa característica na época.
Embora fabricado em 1998, o ônibus entrou em operação no ano 2000, representando um diferencial tecnológico na frota da Cattani.
O Urbanus e os dois Comil Doppio eram veículos distintos, com características próprias. Juntos, ajudam a contar a história de uma frota que reuniu diferentes modelos e soluções ao longo de sua trajetória em Macapá.
A numeração dos ônibus
Um dos detalhes que despertam a curiosidade dos admiradores da Cattani é o sistema de numeração utilizado em seus veículos.
A empresa adotava um padrão próprio de identificação para a frota, no qual os dois últimos algarismos do prefixo correspondiam ao ano de fabricação do ônibus.
Um exemplo é o prefixo 2281: nesse sistema, o final 81 indicava um veículo fabricado em 1981.
Esse padrão constitui uma característica importante para a identificação dos ônibus da Cattani e pode ajudar na análise de fotografias antigas e na reconstrução cronológica da frota.
É importante destacar que essa regra se refere ao sistema adotado pela Cattani. A Estrela de Ouro, outra empresa que marcou o transporte coletivo local, utilizava um sistema de numeração diferente.
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| Comill Svelto 89 - matrícula 292. O dois últimos numaraiss representam o ano de fabricação do veículo. Foto: Camilo de Melo Arrais. |
Linhas urbanas, metropolitanas e serviços especiais
A atuação da Cattani não se limitou ao transporte urbano convencional. Sua trajetória também esteve relacionada ao atendimento metropolitano entre Macapá e Santana, além de serviços específicos e contratos de transporte ligados a empresas e instituições.
Entre as operações lembradas estão os serviços relacionados à AMCEL, ao ICOME e à Copalma, assim como o atendimento a rotas escolares e institucionais.
A ligação entre Macapá e Santana ganhou destaque na história da empresa, acompanhando a demanda por deslocamentos entre os dois municípios.
Um dos registros lembrados pelos admiradores é a operação entre Macapá e Santana, via Fazendinha, com veículos que se destacavam pela aparência e pela configuração diferenciada.
Outro episódio relacionado à atuação da empresa ocorreu em 1997, na região do Forte Cumaú, com dois veículos, em um contexto de dificuldades na ligação entre Fortaleza e Macapá.
A Cattani também operou linhas que conectavam bairros e localidades, contribuindo para a mobilidade urbana e metropolitana do Amapá.
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| Ônibus que fazia linha para a localidade de Monguba. Foto: Michel R. Pontes. |
Os ônibus que chamavam a atenção pelas ruas de Macapá
Entre as lembranças da frota está um micro-ônibus Marcopolo Volare inteiramente azul, com a inscrição Cattani em branco, cortinas nas janelas e ar-condicionado central. O veículo realizava o trajeto entre Macapá e Santana, passando pela Fazendinha, em um serviço com tarifa diferenciada.
O Volare, modelo lançado em 1998, representa uma geração posterior de veículos e ajuda a ilustrar as transformações da frota ao longo dos anos.
Outro modelo lembrado com carinho é o Busscar Urbanus, especialmente pelos veículos utilizados na ligação entre Macapá e Santana, via Fazendinha.
A pintura diferenciada, predominantemente branca, com uma faixa horizontal azul na parte inferior, chamava a atenção de quem observava os ônibus em circulação.
O nome Cattani aparecia em azul nas laterais, na frente e na traseira. Na parte superior da traseira, o símbolo da empresa ficava em uma peça que ocupava o espaço destinado ao vidro traseiro, um detalhe recordado por passageiros e admiradores.
Essas características demonstram como a apresentação visual dos veículos também contribuiu para a identidade da empresa e para as lembranças que permanecem vivas até hoje.
| Micro-ônibus Volare que circulou na linha metropolitana Macapá x Santana, via Fazendinha. Imagem gerada por I.A. |
As cores e a identidade visual da Cattani
A identidade visual da Cattani é outro elemento importante para compreender a história da empresa.
Suas cores características eram o azul-escuro, o azul-claro e o branco. Ao longo dos anos, o design aplicado às carrocerias sofreu alterações, tanto na composição e na disposição das cores quanto na apresentação do nome da empresa.
A tipografia utilizada na escrita de Cattani também passou por mudanças, acompanhando as diferentes fases da frota.
Essas variações ajudam a identificar épocas distintas e podem servir como referência para quem pesquisa fotografias antigas. Os desenhos das carrocerias, as combinações de cores, os símbolos e o estilo das letras são detalhes que fazem parte da memória visual do transporte coletivo de Macapá.
Os dois Comil Doppio de 1996 também se destacaram nesse aspecto, com uma pintura especial que os diferenciava dos demais veículos. Essa iniciativa reforça a importância da identidade visual na história da frota.
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| Comil Doppio 1996, primeiros articulados (sanfonas) a rodarem em Macapá. Acervo: Ônibus Brasil. |
Memórias de quem viveu a história da Cattani
A história de uma empresa de transporte também é contada por quem acompanhou seus ônibus nas ruas, admirou seus modelos ou fez parte de sua equipe. As lembranças compartilhadas por leitores ajudam a preservar detalhes que nem sempre aparecem nos registros oficiais.
O professor Ângelo Duarte recorda com carinho um dos modelos que marcaram a frota da empresa:
“Eu achava muito bonito os Comil Svelto 89, era um ônibus charmoso para época. E só a Cattani era a operadora do modelo em Macapá.”
A lembrança destaca a admiração pelo desenho do Svelto 89 e a presença do modelo na frota local, conforme o relato do professor.
Já Paulo Sérgio relembra a chegada dos Busscar Urbanus à operação entre Macapá e Santana, via Fazendinha, destacando a pintura que diferenciava os veículos:
“Até hoje me recordo quando a Cattani colocou os ônibus Busscar Urbanus para Macapá X Santana, Via Fazendinha, os ônibus eram lindos e com a pintura diferenciada dos urbanus, branco com uma linha horizontal azul embaixo e com o nome da empresa na cor azul nas laterais, frente e na traseira, ostentando o símbolo da empresa na parte de cima, num tampão que ficava no lugar do vidro traseiro.”
O depoimento chama a atenção para os detalhes da pintura e para a posição do símbolo da empresa na parte superior da traseira, características que permanecem vivas na memória de quem conheceu aqueles ônibus.
A Cattani também deixou lembranças entre os profissionais que trabalharam no transporte coletivo. Marcelo Rodrigues, que atuou como cobrador, compartilha sua experiência:
“Eu trabalhei na ‘gata’ como chamavamos a empresa. Trabalhei como cobrador no ano de 1993, foi um aprendizado na minha vida, só lamento não ter uma foto daquela época para guardar de lembrança.”
A expressão “gata”, utilizada informalmente para se referir à empresa, faz parte da memória pessoal do ex-cobrador e revela o vínculo construído por quem viveu o cotidiano do trabalho no transporte coletivo.
Os três depoimentos mostram diferentes formas de ligação com a Cattani: a admiração pelos modelos de ônibus, a atenção aos detalhes da frota e a experiência profissional de quem participou de sua história.
Agradecemos ao professor Ângelo Duarte, a Paulo Sérgio e a Marcelo Rodrigues por compartilharem suas recordações e contribuírem para a preservação da memória do transporte amapaense.
A trajetória e as transformações do transporte coletivo
Com o passar dos anos, o transporte coletivo de Macapá passou por mudanças operacionais e empresariais. Os espaços utilizados pelas empresas, os modelos de ônibus e a organização dos serviços acompanharam essas transformações.
A trajetória da Cattani está ligada a esse processo. Suas antigas garagens, os diferentes prefixos, os modelos que circularam pela capital e os serviços prestados constituem elementos importantes para compreender a evolução do transporte coletivo amapaense.
As lembranças dos passageiros, dos trabalhadores do setor e dos admiradores de ônibus ajudam a recuperar detalhes que nem sempre aparecem nos registros oficiais. Fotografias de veículos, relatos sobre linhas e informações sobre as antigas instalações podem contribuir para esclarecer passagens dessa história.
Mais do que recordar uma empresa, conhecer essa trajetória é preservar parte da história urbana de Macapá e das experiências cotidianas de quem dependia dos ônibus para trabalhar, estudar e se deslocar pela cidade.
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| Ônibus rodoviário na estrada do Mazagão. Foto: Camilo de Melo Arrais. ônibus Brasil. |
Ajude a preservar essa história!
Você trabalhou na Cattani, foi passageiro de seus ônibus ou guarda fotografias antigas da frota? Tem lembranças das linhas, das garagens, dos motoristas, dos cobradores ou dos modelos que circularam por Macapá?
Sua contribuição pode ajudar a recuperar informações importantes e enriquecer este registro histórico.
Compartilhe suas lembranças nos comentários ou envie fotografias e informações para a equipe da Rádio 90’s Macapá. Cada detalhe pode ajudar a reconstruir essa trajetória.
Nota editorial: Esta matéria é um registro histórico em construção sobre a trajetória da Cattani e sua participação no transporte coletivo do Amapá. O conteúdo poderá receber atualizações ao longo dos anos, à medida que novas informações, documentos, fotografias e relatos forem reunidos. Contribuições de antigos funcionários, ex-colaboradores, passageiros, busólogos e demais pessoas que fizeram parte dessa história serão muito bem-vindas.
Almanaque Eletrônico — Rádio 90’s Macapá
Resgatando histórias, preservando memórias e valorizando a cultura do Amapá.
Matéria: Antonio Júnior








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