Lembra desse disco? CD Classic Metal (2003)
Uma viagem no tempo através das 14 faixas de Hard Rock e Metal dos anos 80 que marcaram época na Som Livre.
O disco
Lançado pela Som Livre, o CD reúne 14 faixas do Hard Rock e Heavy Metal que soaram nas rádios mundiais, agitaram multidões nos festivais de rock e contribuíram para a história da música no mundo. Não se trata de um simples disco: estamos falando de um verdadeiro portal musical que transporta os ouvintes e amantes do metal para o passado, permitindo que revivam, através das ondas sonoras, os melhores momentos de suas vidas naquela década maravilhosa. Tudo isso graças ao talento de André Werneck, idealizador do projeto e responsável pela escolha do repertório, produtor que possui participação expressiva em diversos projetos fonográficos no Brasil.
A capa
Sua capa, desenhada por Cristina Seabra, reúne cores fortemente associadas ao universo do rock e do metal, destacando uma guitarra pontilhada — símbolo máximo do gênero que conquistou gerações e viveu seu auge nos anos 80. Nesse contexto, a New Wave e a estética da época tiveram uma colaboração significativa para expandir o movimento do rock por todos os continentes. Projetos gráficos como este refletem a verdadeira obra de arte que é a música pesada.
As faixas
As 14 faixas da coletânea possuem um significado importante no contexto musical, cultural, afetivo e cinematográfico. Cada música foi minuciosamente escolhida para fazer parte do repertório:
Journey – Don't Stop Believin' (1981)
Curiosidade: Lançada no álbum Escape, tornou-se um dos maiores hinos do rock de arena da história. A música teve uma grande sobrevida na cultura pop, marcando presença em trilhas sonoras como a do filme Voando Alto (2006), na icônica cena final da série The Sopranos e no episódio piloto do seriado Glee.
Kansas – Play the Game Tonight (1982)
Curiosidade: Lançada como lead single do álbum Vinyl Confessions, marcou a estreia de John Elefante como vocalista principal após a saída de Kerry Livgren da frente dos vocais. Foi o último single da banda a atingir o Top 20 da Billboard Hot 100.
Asia – Only Time Will Tell (1982)
Curiosidade: Lançada pelo supergrupo britânico formado por ex-integrantes do Yes, Emerson, Lake & Palmer e King Crimson, a faixa fez parte do álbum de estreia autointitulado (Asia), que vendeu milhões de cópias pelo mundo impulsionado pelos videoclipes de grande rotação na MTV americana.
Europe – The Final Countdown (1986)
Curiosidade: Embora a banda sueca também seja lembrada pela balada romântica Carrie, esta faixa-título transformou o Europe em um fenômeno global. Seu famoso riff de teclado foi composto por Joey Tempest anos antes do lançamento do disco.
Survivor – Eye of the Tiger (1982)
Curiosidade: Encomendada diretamente por Sylvester Stallone para ser o tema principal do filme Rocky III, a música venceu o Grammy de Melhor Performance de Rock e alcançou o topo das paradas globais, tornando-se sinônimo universal de motivação e superação.
Scorpions – Rock You Like a Hurricane (1984)
Curiosidade: Considerada a assinatura sonora dos alemães do Scorpions, a faixa do álbum Love at First Sting tornou-se um dos maiores clássicos do Hard Rock dos anos 80, figurando frequentemente entre as maiores canções de rock de todos os tempos em listas da VH1 e Rolling Stone.
Peter Frampton – Breaking All the Rules (1981)
Curiosidade: Faixa-título do sexto álbum de estúdio solo do lendário guitarrista britânico. Marcada por uma sonoridade mais pesada e crua em comparação aos seus trabalhos anteriores dos anos 70, tornou-se um clássico cult do Hard Rock do início da década.
Journey – Separate Ways (Worlds Apart) (1983)
Curiosidade: Presente no álbum Frontiers, destaca-se pelo riff marcante de sintetizador e pelos vocais potentes de Steve Perry. Seu videoclipe icônico gravado em um cais em Nova Orleans tornou-se um marco da era de ouro da MTV.
The Outfield – Your Love (1985)
Curiosidade: Lançada pela banda britânica em seu álbum de estreia Play Deep, atingiu o Top 10 da Billboard nos EUA. A música permanece como um dos maiores hinos do Power Pop/AOR dos anos 80 e conta com mais de 1 bilhão de execuções nas plataformas digitais.
Troller – Did It All for Love (1988)*
Curiosidade: Na verdade gravada pela banda alemã de Hard Rock/AOR Phenomena (com vocais de Glenn Hughes) em 1987, a faixa foi creditada na coletânea nacional como "Troller" devido a um erro recorrente em edições brasileiras de licenciamento de época. A canção é um clássico marcante das rádios brasileiras de rock da transição dos anos 80 para os 90.
Twisted Sister – We're Not Gonna Take It (1984)
Curiosidade: Maior sucesso da banda de Glam/Hard Rock, presente no álbum Stay Hungry. Liderada por Dee Snider, a canção tornou-se um hino de rebeldia jovem e enfrentou controvérsias com o comitê PMRC nos EUA devido às suas letras e ao videoclipe cômico.
Faith No More – Epic (1989)
Curiosidade: O single do álbum The Real Thing foi o responsável por projetar a banda ao estrelato mundial. Combinando Funk Metal, Rap e Metal Alternativo, a música marcou a transição do som dos anos 80 para a década de 90 e teve grande destaque no primeiro Rock in Rio (1991).
Flarow – Open Highway (1988)
Curiosidade: Projeto estúdio de AOR/Melodic Rock com produção e instrumental associados a músicos de estúdio europeus. A faixa é uma raridade cult presente em coletâneas de rock da época que remetem à sensação de dirigir em estradas abertas (driving songs).
Klaus Spencer – Hard Metal (Instrumental) (2003)
Curiosidade: Trata-se de uma vinheta/faixa instrumental de encerramento produzida especificamente para dar o tom final ao projeto fonográfico do CD, utilizando arranjos marcantes de guitarras e distorções típicas do gênero.
Considerações finais
O disco foi lançado em um momento em que o CD dava os seus últimos suspiros como o detentor da maior fatia de consumo pelos entusiastas da música, já que os formatos digitais e os serviços de streaming começavam a se desenhar no mercado global, levando as pessoas a trocarem o suporte físico pelo virtual. O interesse pelo toque, pelo encarte e pela experiência de explorar o produto físico perdeu espaço para as novas gerações, que hoje preferem a praticidade dos aplicativos de celular, tornando o disco físico um artigo para um grupo seletor de colecionadores.
Nossa avaliação: O álbum é muito bom, recebendo nota 9.0 pela arte gráfica, qualidade de áudio e escolha do repertório. Poderia ter alcançado uma nota maior, mas o fato de alguns clássicos obrigatórios terem ficado de fora fez com que o CD se assemelhasse a outras coletâneas do mercado, repetindo certas faixas batidas enquanto outras músicas incríveis da época continuam caindo no esquecimento.
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