A Saga do Transporte no Amapá: A História da Canário do Amapá

A Primeira Empresa de Ônibus Genuinamente Amapaense que Ligou Macapá a Santana e Marcou uma Época

Empresário Jarbas Ferreira Gato ao lado de sua esposa na garagem da empresa Canário do Amapá. Foto: Blog Santana do Amapá.


A primeira empresa de ônibus genuinamente amapaense que ajudou a integrar Macapá e Santana


PROJETO ESPECIAL
MEMÓRIA DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS DO AMAPÁ

Esta reportagem faz parte de uma série especial da Rádio 90's Macapá dedicada à preservação da história do Estado do Amapá, das empresas de ônibus que por aqui passaram e deixaram a sua contribuição com o desenvolvimento do lugar.



Dando continuidade à série especial sobre as empresas de ônibus que ajudaram a construir a história do transporte coletivo no Amapá, resgatamos agora a trajetória da Canário do Amapá, companhia que marcou época ao se tornar a primeira empresa de ônibus genuinamente amapaense, segundo registros históricos publicados pelo Portal Seles Nafes e pelo Blog Santana do Amapá.

Em uma época em que a mobilidade entre Macapá e Santana ainda era limitada, seus veículos ajudaram a impulsionar o desenvolvimento urbano, econômico e social do então Território Federal do Amapá.

O Olhar Empreendedor de Jarbas Gato

Jarbas Ferreira Gato, pioneiro no transporte coletivo no Amapá.


A história começa quando o empresário e ex-deputado estadual Jarbas Ferreira Gato decidiu investir no transporte de passageiros, identificando uma necessidade crescente da população e uma oportunidade de contribuir para o desenvolvimento do estado.

Antes disso, ele atuava no transporte de mercadorias para Santana, que naquela época ainda era distrito de Macapá.

Foi justamente durante esse trabalho diário que percebeu uma oportunidade ainda maior. Enquanto caminhões levavam produtos entre as duas localidades, centenas de moradores enfrentavam dificuldades para se deslocar até a capital, seja para trabalhar, estudar, realizar compras ou resolver questões do cotidiano.

Naquele período, praticamente inexistia um sistema organizado de transporte coletivo entre Macapá e Santana. A distância, somada à escassez de veículos de aluguel, tornava cada viagem um verdadeiro desafio para a população.

Quando a Estrada Ainda Era um Desafio

Nos primeiros anos da década de 1970, a Rodovia Duque de Caxias — atual Rodovia Duca Serra — era a principal ligação terrestre entre Macapá e Santana. A Rodovia Juscelino Kubitschek ainda estava em construção, limitando a expansão urbana e dificultando o acesso à região sul da capital.

Quem morava na Fazendinha, por exemplo, precisava atravessar praticamente toda a cidade para seguir viagem até Santana ou recorrer a pequenas embarcações que navegavam pelo Rio Amazonas.

Na prática, a infraestrutura rodoviária ainda era insuficiente para acompanhar o crescimento populacional, tornando o transporte coletivo uma necessidade cada vez mais urgente para o desenvolvimento regional.

Das Kombis aos Ônibus

Percebendo essa demanda crescente, Jarbas Gato adquiriu algumas Kombis para operar como lotações. A iniciativa melhorou significativamente a mobilidade da população e rapidamente conquistou a confiança dos passageiros.

As Kombis passaram a ser uma alternativa mais rápida e segura para quem dependia do deslocamento diário entre Macapá e Santana.

O sucesso foi imediato. Com o aumento constante da procura, tornou-se evidente que seria necessário ampliar a estrutura do negócio para atender tanto ao transporte de passageiros quanto ao de pequenas cargas.

Nasce a Primeira Empresa de Ônibus do Amapá



Com uma visão empresarial cada vez mais ampla e o aval do então prefeito Lourival Benvenuto, Jarbas Gato fundou, em 1973, a Canário do Amapá, considerada a primeira empresa de ônibus genuinamente amapaense.

A operação começou com apenas cinco ônibus.

Dois anos depois, em 1975, a conclusão da Rodovia Juscelino Kubitschek permitiu a expansão das linhas até Santana, passando pela Fazendinha, consolidando um importante corredor de integração entre as duas localidades.

Impulsionada pela crescente demanda, a empresa expandiu sua frota e chegou a operar com mais de doze ônibus, todos encarroçados pela Caio Norte, no modelo Gabriela II, sobre chassis Mercedes-Benz.

Uma Curiosidade que Até Hoje Intriga os Amapaenses

A identidade visual da Canário do Amapá chamava atenção pelas cores verde, amarelo e branco. Era impossível não notar seus ônibus circulando diariamente entre Macapá e Santana.

Até hoje, muitos moradores se perguntam se o nome da empresa e sua pintura foram inspirados na Seleção Brasileira de Futebol, conhecida popularmente como Seleção Canarinho.

Não há registros históricos que confirmem essa relação, mas a coincidência continua alimentando a curiosidade daqueles que viveram aquele período.

O Fim da Empresa, mas Não da História

No início da década de 1980, a Canário do Amapá foi adquirida pela empresa paranaense Cattani S.A., que incorporou toda a frota e a garagem localizada na Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd, no bairro Santa Rita, nas proximidades do quartel do Exército Brasileiro.

Com o passar dos anos, a memória da Canário foi desaparecendo pouco a pouco. A escassez de fotografias, documentos e registros históricos fez com que a empresa permanecesse viva principalmente nas lembranças daqueles que utilizaram seus serviços.

Jarbas Ferreira Gato, que também construiu uma sólida trajetória no ramo de combustíveis e na política amapaense, faleceu em junho de 2019, deixando um importante legado empresarial e social para o estado.

Túnel do Tempo

O Mundo Enquanto a Canário do Amapá Fazia História

Enquanto a Canário do Amapá ampliava suas linhas durante a década de 1970, o Brasil e o mundo viviam profundas transformações culturais.

Na Música

A disco music conquistava as pistas de dança e começava a ganhar espaço também no Brasil.

Artistas e grupos como Bee Gees, ABBA, Elton John, Michael Jackson, Secret Service, Sidney Magal, Elizângela e Amelinha embalavam uma geração inteira e faziam parte da programação da única emissora de rádio existente no Amapá.

Na Televisão e no Cinema

A novela Dancin' Days transformou-se em um dos maiores fenômenos da televisão brasileira, influenciando a moda, o comportamento e popularizando o universo das discotecas.

Nos cinemas, Os Embalos de Sábado à Noite tornava-se um sucesso mundial e consolidava a cultura da disco music.

No Amapá, surgia a TV Amapá, primeira emissora de televisão do estado, ainda operando com programação limitada.

No Comércio e no Desenvolvimento Regional

Logomarca da Loja A Credilar, primeira rede de lojas de Macapá e Santana.


Santana ainda era distrito de Macapá e o comércio local vivia um período de expansão.

Empresas como a Credilar consolidavam-se entre as maiores lojas de móveis e eletrodomésticos da região, enquanto a Estrela de Ouro surgia como uma nova concorrente no transporte coletivo.

Muito Além do Transporte

Mais do que ligar Macapá a Santana, a Canário do Amapá ajudou a aproximar pessoas, facilitar o comércio e impulsionar o crescimento urbano do estado.

Seus ônibus verde, amarelo e branco transportaram trabalhadores, estudantes, famílias e sonhos, tornando-se parte da memória afetiva de uma geração.

Embora tenha desaparecido das ruas há mais de quatro décadas, a Canário do Amapá continua presente na lembrança de quem viveu aquele período.

Mais do que transportar passageiros, seus ônibus levaram histórias, aproximaram comunidades e contribuíram para a construção do desenvolvimento do Amapá.

Sua trajetória permanece como parte importante da memória do transporte coletivo amapaense.

Como diz a canção "Senhor Tempo Bom", de Thaíde & DJ Hum:

"Que tempo bom... que não volta nunca mais."


📝 Nota do Autor

Esta reportagem foi produzida a partir de memórias de infância, entrevistas, pesquisas históricas e informações documentadas em publicações do Portal Seles Nafes e do Blog Santana do Amapá.

O objetivo é contribuir para a preservação da memória do transporte coletivo e do desenvolvimento urbano do Amapá.

Por se tratar de um resgate histórico, algumas datas ou informações podem apresentar pequenas divergências entre diferentes fontes consultadas, situação comum em pesquisas sobre a história regional.

Se você possui fotografias, documentos ou lembranças sobre a Canário do Amapá, compartilhe conosco. Sua contribuição poderá enriquecer futuras pesquisas e ajudar a preservar a memória do transporte coletivo do nosso estado.


Comentários

📢 Anuncie na Rádio 90’s Macapá

Divulgue sua marca para milhares de ouvintes!

Quero anunciar

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraje a Rigor – “Filha da P” (1989): A polêmica que atravessou décadas

Elton John – Little Jeannie: história musical, impacto cultural e a força da canção nas rádios

Siga a 90’s Macapá nas redes sociais

contato@radio90smacapa.webradios.net

Teste

🎵 🎶 🎵
🎧 Rádio 90's Macapá no ar!
DJ Rádio 90's Macapá
▶ OUÇA AGORA

Visualizações