“TOCA POPERON!” MEMÓRIAS DE HITHOUSE, UMA LEMBRANÇA PESSOAL.

Fonte da imagem: https://mpsmelo.wordpress.com/2020/07/01/peter-hithouse-slaghuis-biocd/


Olá, eu me chamo Marcondes Pereira, meus amigos me conhecem como Moroder DJ. Eu não sou DJ profissional, não toco em festa, não faço evento, não tenho agenda. Eu sou daqueles DJ de fundo de quintal, que só toca o que gosta, do jeito que gosta e a hora que der na telha. Entendeu?

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O que eu tenho mesmo é memórias, vivências e um carinho enorme por uma época em que a música não era algoritmo, era experiência (Calma, isso não é um chororô!!). Alguns dias atrás, enquanto eu estava pegado mixando um set de House Music no meu CDJ da Gemini, coloquei pra tocar alguns hits do DJ e produtor Hithouse. Foi automático. As lembranças vieram na hora. Me veio na cabeça como era gostoso dançar, curtir uma festa simples, estar entre amigos, sem pressa, sem pose — só vivendo o momento ao som de uma batida acelerada.

Red Bull Dance Your Style, Porto, MXM Art Center
Fonte da foto: https://www.redbull.com/pt-pt/red-bull-dance-your-style-bailarinos

Nos anos 80/90, aqui em Macapá-AP, eu fui um desses jovens que dançou até cansar ao som do que a gente chamava na época de “Poperon”. “TOCA POPEROOOOM!!!!!!” Eu gritava a todo pulmão para o DJ. Naquela época, ninguém queria saber o nome técnico da música (Com algumas exceções). Se a batida era rápida, frenética, daquelas que faziam o corpo se mexer antes mesmo da cabeça decidir, era Poperon — simples assim.


Eu tinha um amigo que fez magistério comigo nos ano 80 no antigo colégio I.E.T.A. (Instituto de Educação do Estado do amapá), o apelido dele era Poperon, o cara dançava demais, performance, break Dance, o cara era um gênio da dança era o espírito vivo do era curtir um bom poperon, bons tempo, hoje não tenho mais contato com ele.

Technotronic - 1989 - Pump Up The Jam (The Album)

POPERON, esse nome surgiu de um jeito curioso, quase ingênuo. Um trecho da música Pump Up the Jam, do Technotronic, soava pra nós como alguém dizendo “poperon”. Bastou isso para que tudo que tivesse BPM alto — Eurodance, Acid House, House e outras vertentes que nem sabíamos nomear — virasse uma coisa só. Não era confusão. Era identidade local.


Os locais onde eu dançava não eram exatamente “danceterias luxuosas”. Estavam mais para quebradas: espaços simples, democráticos, onde mesmo com pouca grana ou até liso, a gente era bem-vindo (Nem toda vez). O importante era estar ali. E todo mundo estava. A juventude marcava presença como se aquele fosse o único lugar que importava naquela noite.


A gente se vestia como dava, mas também como sonhava. Camisas largas, bermudas, tênis ou até sapatos (Sapatos Pacatus, esse foi febre em Macapá). O visual meio surfista urbano estava em alta. Marcas como Alternativa, Fido Dido, Oakley dominavam o imaginário. As vitrines chamavam aquilo de Sport Wear. Eu só sabia que era caro, cobiçado e que quem usava parecia fazer parte de algo maior.



E no meio de tudo isso, tinha uns sons que nunca falhavam, tocavam como hinos. Eram músicas que os DJs locais tocavam sem medo de errar — tanto nas festas quanto, vez ou outra, nas rádios FM. Batida rápida, salão cheio, coreografias bem ensaiada… ou dança feia mesmo (como a que eu sem orgulho algum fazia), mas com alma.

Entre essa gama de “poperons” que tocavam, um tinha nome: HITHOUSE. Lembro desse disco de vinil na mão do Dj Pingo (um dos melhores Dj que já vi tocando), Dj residente, na época, no Som Lideral, pertencente do senhor Osvaldo Mota.

Pode ser uma imagem de texto que diz "A VIBE RETRO MAIS DANÇANTE DA CIDADE sex 12 DEZ PARTIR DAS 20H00 AΑ6 Reri E HOJE St SEXadieo classicos PINGO IN INTHE HOUSE E CONVIDADOS VISA 10 piXI 분 RUA EUCLIDES RODRIGUES, 1318, BAIRRO NOVA BRASILIA SANTANA"

Na época, eu não fazia ideia de que Hithouse era um projeto criado pelo produtor holandês Peter Slaghuis, um dos grandes nomes do Acid House europeu. Pra mim, ele era simplesmente o responsável por algumas das noites mais intensas da minha juventude.

Capa do disco de vinil: Hithouse – Hithouse, de 1989, lançado pelo selo Beat Box – BB 9052.


Em 1989, o disco Hithouse – Hithouse tocava sem parar. Eu tenho esse LP até hoje (E um outro que o meu compadre é amigo Antonio Gòes Jr insiste em dizer que eu roubei dele, na verdade foi um empréstimo para a vida toda).  Quando a agulha caía, não tinha erro. I Felt Acid House Love, The Deep Piano House, Everybody (Got To Get Some)… tudo era hit.


Mas havia uma música que era diferente. Quando ela começava, a pista mudava de estado: 🔥 Jack To The Sound Of The Underground 🔥



Aquilo não era só música. Era comando. Era chamado, um hino que começava com: “Picture this, recording studio somwhere far, far away”, depois mais umas firulas e finalmente o grave entrava e o corpo obedecia. Sem pensar. Sem freio. Aquilo sim era um Poperon de verdade, feito para ser dançado até perder a noção do tempo. Era tão boa que algumas vezes rolava até repeteco.


Depois veio, em 1990. Um disco mais melódico, mais refinado, mas ainda totalmente voltado para a pista. As versões longas, os mixes, tudo era pensado para quem vivia a noite de verdade.

Hithouse – I've Been Waiting For Your Love (1990) Selo: The Brothers Organisation – 12 BORG 5.



E eu Já ia esquecendo da "Woodpeckers from Space" essa já era mais calma, mas eu gostava muito da música do “Pica-pau”. (Essa já era Eurodisco, synth-pop, essa é uma conversa pra outra postagem).



Hoje, essa postagem não é para mostrar conhecimento técnico, afinal essas informações são de domínio público, nem para bancar especialista. É apenas uma forma de lembrar. De compartilhar um pedaço da minha juventude, de um tempo em que a gente só queria dançar, curtir e ser feliz ao som de uma batida acelerada.



Eu não sou DJ de festa, sou DJ de lembranças, de vinil, CD e de memória afetiva.


E o Hithouse é, sem dúvida, uma das minhas maiores influências nessa caminhada musical e pessoal. E é por isso que algumas músicas nunca morrem.

Elas ficam guardadas no corpo, na memória e no coração de quem viveu a pista de verdade.

Peter Slaghuis ou Hithouse (Foto postada em: https://www.facebook.com/choonspod)



O Hithouse pode não estar mais entre nós, mas cada vez que “Jack To The Sound Of The Underground” toca, a batida reaparece, o chão treme e a minha juventude volta por alguns minutos.


Se você também dançou, se você também sentiu, ou se quer entender por que essa música marcou uma geração inteira aqui em Macapá, o convite está feito.

Vem curtir, relembrar e sentir tudo de novo na Rádio 90s Macapá — onde o som não é algoritmo, é memória viva.

Documentário sobre Hiihouse:
The story behind "Hithouse - Jack To The Sound Of The Underground"
by Jerry Beke | Muzikxpress 037


Aumenta o volume.

Sente a batida.

E deixa o poperon te levar mais uma vez. 🔊🔥



🎧 Rádio 90s Macapá — porque algumas pistas nunca fecham.

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