A SPACE OPERA DE GIORGIO MORODER – FROM HERE TO ETERNITY.



Olá ouvintes da Rádio 90s Macapá, meu nome é Marcondes Oliveira, mas muitos me conhecem como Moroder DJ.

E hoje eu quero falar não apenas de um artista, mas de uma REFERÊNCIA, de uma influência profunda na minha trajetória musical: Giorgio Moroder.

Minha admiração por Moroder não nasceu por acaso. Ela nasceu no som.

Nas batidas repetitivas, nos sintetizadores hipnóticos, naquela sensação de estar ouvindo algo que vinha do futuro — mesmo sendo criado décadas atrás.

O álbum FROM HERE TO ETERNITY não é apenas um disco pra mim.

É o meu vinil favorito. Uma obra que me marcou, que me formou musicalmente e que ajudou a moldar a forma como eu escuto, sinto e respeito a música eletrônica, até em minhas leituras, no meu tempo de leitor, ao ler Isaac Asimov ou os livro de bolso de Perry Rhodan, eu não considero um exagero dizer que ali eu escutava, em minha mente, as músicas de Giorgio Moroder.

Foi dessa admiração genuína que surgiu o meu nome fantasia de DJ de fundo de quintal, simples, mas carregado de significado: Moroder DJ.

Porque homenagear quem abriu caminhos também é uma forma de manter essa história viva.

Neste texto especial, quero compartilhar com vocês, ouvintes e seguidores da Rádio 90s Macapá, quem foi — e quem é — Giorgio Moroder.

Um gênio, um visionário, um produtor que não seguiu tendências…

ele criou o tempo onde a música passou a existir.

Que essa viagem sonora seja tão marcante pra vocês quanto foi — e ainda é — pra mim.




GIOVANNI GIORGIO MORODER não nasceu cercado por palcos, estúdios ou aplausos.

Ele nasceu em 1940, na pequena cidade de Ortisei, no Tirol do Sul, norte da Itália. Um lugar de montanhas, silêncio e tradição, onde a música ainda vivia ligada ao passado, às melodias populares e aos instrumentos acústicos. Nada ali parecia apontar para o futuro — mas foi exatamente desse silêncio que nasceu alguém capaz de escutá-lo antes de todos.

Cidade de Ortisei, Itália.

Desde jovem, Giorgio demonstrou interesse pela música, aprendendo a tocar guitarra e se aproximando da composição. Mas o que o diferenciava não era apenas o talento: era a curiosidade. Ele não queria apenas tocar canções; queria entender como o som era criado, moldado e gravado. A Itália logo se mostrou pequena para esse desejo.

Nos anos 1960, Moroder toma uma decisão ousada: deixa seu país e segue para a Alemanha, um dos centros mais experimentais da música europeia naquele momento. Munique e Berlim fervilhavam com novas ideias, clubes noturnos e estúdios que começavam a explorar tecnologias inéditas. Era o ambiente perfeito para alguém que não aceitava limites.









"Giorgio contou que descobriu sua vocação aos 15 anos, mas que na época parecia um sonho impossível. Moroder morava em uma pequena vila italiana de cinco mil habitantes e idolatrava a música da Europa e dos EUA: conhecia todas as músicas dos Beatles e de Elvis. Giovanni montou uma banda e juntos viajaram por metade do continente, cantando o rock and roll internacional. "Mas depois percebi que não queria apenas tocar, queria compor música." Depois de abandonar os estudos, dedicou-se ao baixo. "Agora talvez eu tenha uma pequena chance." Após tocar em discotecas alemãs, aos 18 anos recebeu uma proposta para trabalhar como engenheiro de som em um estúdio de Berlim. "Como recusar?", questiona Moroder."  Blog.12edit



Na Alemanha, Moroder trabalhou como músico de estúdio, compositor e técnico. Passava horas observando mesas de som, gravadores e circuitos. Enquanto muitos músicos desconfiavam das máquinas, ele se aproximava delas. Para Giorgio, não eram frias — eram portais.

Sem saber, aquele jovem italiano estava se preparando para algo que ainda não existia: a música eletrônica como a conhecemos hoje.




Foi em Munique que Giorgio Moroder encontrou seu verdadeiro laboratório criativo. Nos estúdios da cidade, especialmente no lendário MUSICLAND STUDIOS, ele teve contato direto com equipamentos que poucos dominavam. Sintetizadores analógicos, gravadores multipista, mesas de mixagem — tudo aquilo fascinava Moroder.

Giorgio Moroder no Estúdio MusicLand na Alemanha.


Entre os instrumentos que passaram a fazer parte de seu universo estavam os Moog Modular Synthesizers, fabricados pela Moog Music, verdadeiros monstros eletrônicos capazes de criar sons jamais ouvidos. Moroder também utilizava equipamentos da ARP Instruments, como o ARP Odyssey, além de gravadores analógicos da Studer e efeitos como o Roland Space Echo.

Moog Modular Synthesizers


Enquanto a maioria ainda dependia de bandas completas, Moroder começou a experimentar algo radical: sequências repetitivas, pulsos constantes, ritmo controlado por máquinas. Ele estava descobrindo que a repetição podia ser hipnótica — e que o futuro talvez tivesse batida própria.

Nesse período, conhece Pete Bellotte, parceiro criativo essencial, e logo depois uma jovem cantora americana que mudaria tudo: DONNA SUMMER. O encontro entre eles não foi apenas musical. Foi histórico.

Giorgio Moroder, Donna Summer e Pete Bellotte (Fonte da foto: https://djhistory.com).



Ela tinha uma voz carregada de emoção e sensualidade. Ele tinha uma visão clara de para onde a música poderia ir. Juntos, estavam prestes a reescrever as regras.





A parceria entre Giorgio Moroder e Donna Summer começou dentro dos limites da disco music, mas rapidamente rompeu qualquer fronteira conhecida. Em 1975 (Ano em que esse que está escrevendo nasceu), com LOVE TO LOVE YOU BABY, já era possível sentir algo diferente: faixas longas, atmosfera densa, sensualidade guiada mais pelo som do que pela letra.

Moroder começou a eliminar elementos tradicionais. A bateria acústica foi sendo substituída por pulsos eletrônicos. O baixo passou a ser programado nota por nota. A música deixou de ser tocada — passou a ser construída.

Donna Summer e Giorgio Moroder (Fonte da foto: https://www.facebook.com/GiorgioMoroderOfficial)


Em 1977, veio a ruptura definitiva: “I FEEL LOVE”. A faixa foi criada quase inteiramente com um Moog Modular, utilizando sequenciadores analógicos. Não havia banda. Não havia groove humano. Apenas uma batida perfeita, mecânica, hipnótica — e a voz de Donna flutuando sobre ela.


Quando Brian Eno ouviu a música, virou-se para David Bowie e disse:

“Este é o som do futuro.”

Ele estava absolutamente certo.

A partir daquele momento, a música popular nunca mais seria a mesma.




Convencido de que havia aberto um novo caminho, Giorgio Moroder decidiu ir além. Ainda em 1977, lançou From Here to Eternity, um álbum que não pode ser entendido como simples disco — ele é um manifesto sonoro.

O álbum foi concebido como uma obra contínua, construída quase integralmente com sintetizadores e sequenciadores. Cada faixa se conecta à outra, criando uma sensação de viagem. Não havia concessões ao passado. Tudo ali apontava para frente.



Os equipamentos usados incluíam:

Moog Modular (Moog Music), ARP Odyssey (ARP Instruments), gravadores Studer, ecos Roland e sequências programadas manualmente — antes mesmo das drum machines se popularizarem.

Nada era improviso. Cada pulso era pensado. Cada repetição era intencional. Moroder estava ensinando máquinas a criar emoção — algo que ninguém havia feito daquela forma.

A música eletrônica moderna nascia ali, silenciosamente.





Depois de transformar as pistas de dança, Moroder levou o futuro para o CINEMA. Em 1978, sua trilha para O EXPRESSO DA MEIA-NOITE mostrou que sintetizadores podiam criar tensão, drama e profundidade emocional. O resultado foi um OSCAR, consolidando seu nome em Hollywood.

Vieram então FLASHDANCE, TOP GUN, A HISTÓRIA SEM FIM, entre outros. Moroder ajudou a definir o som do cinema dos anos 80, misturando emoção humana e tecnologia.



Enquanto isso, sua música atravessava oceanos. No Brasil, ecoou em discotecas, rádios, bailes e pistas de dança. DJs talvez não soubessem seu nome — mas tocavam sua visão.





"São Paulo (2014 & 2017): Moroder tocou na Skol Beats Factory em 2014. Em 2017, realizou uma apresentação única, onde tocou clássicos e a música "Giorgio by Moroder" do Daft Punk, interagindo com o público e mostrando sua mistura de disco e eletrônica moderna."

Fragmento da reportagem de Claudia Assef, postada em:

 musicnonstop.uol.com.br (Agosto de 2014)



Nos anos recentes, Moroder foi reconhecido como origem, o ponto de partida da música eletrônica. Em 2013, o Daft Punk o convidou para narrar sua própria história em Giorgio by Moroder. Não como homenagem. Mas como reconhecimento.



Hoje, fica claro:

Giorgio Moroder não seguiu o tempo.

Ele criou o futuro e o futuro, até hoje, dança no ritmo que ele inventou.


Rádio 90s Macapá — Aqui a pistas nunca fecha. Fiquem Ligados em nossa programação.

Giorgio Moroder em Sydney no Ópera House (https://www.sydneyoperahouse.com/.../giorgio-moroder.html)


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraje a Rigor – “Filha da Puta” (1989): A polêmica que atravessou décadas

Elton John – Little Jeannie: história musical, impacto cultural e a força da canção nas rádios

Pergunta 1

A música “Suga Suga” foi trilha sonora de abertura de qual produção?

Pergunta 2

Michael Jackson lançou seu primeiro álbum solo com o título:

Pergunta 3

Em qual filme Tom Cruise interpreta um bartender?

Pergunta 4

Qual foi o primeiro grande sucesso solo de Beyoncé?

Pergunta 5

Qual vídeo game é ícone dos anos 90?

Pergunta 6

Qual programação infantil era protagonizada por cachorros?

Pergunta 7

Festival em que o Queen roubou a cena ajudando no combate à fome na África:

contato@radio90smacapa.webradios.net